PSICOLOGIA, ORGANIZAÇÕES E TRABALHO EM PERSPECTIVA SOCIAL E (DE)COLONIAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5016/

Resumo

Com o presente texto, partimos da problemática da produção de conhecimento em Psicologia, Organizações e Trabalho historicamente referenciada por hegemonias eurocêntricas e pela colonialidade do saber e do ser, associadas à centralidade do mercado, desde a leitura liberal até sua perspectiva neoliberal, atualmente desdobrada nas dinâmicas do capitalismo rentista e digital. Essas produções: (i) Naturalizam a experiência dos países situados ao Norte Global como universal; (ii) Invisibilizam saberes situados e epistemologias outras, analisadas sob a ótica daquilo que diverge da epistemologia dominante; (iii) Vinculam valor humano à produtividade e ao emprego, situando produções subjetivas à comportamentos adaptados; (iv) Transformam a psicologia e a ciência organizacional em tecnologias de adaptação e persuasão a serviço da lógica de mercado; (v) Enfraquecem o lugar, o pertencimento e os modos de vida territorializados diante da globalização. Assim, compreende-se oportuno levantar a discussão sobre como o campo reproduz hierarquias epistêmicas ante os processos de classificação social e nas dinâmicas contemporâneas de organização do trabalho, associadas às configurações subjetivas funcionais e formas de socialização instrumentais, sufocando alternativas teóricas e práticas plurais que ampliem protagonismos e produzam saúde e bem-estar nos variados contextos de trabalho. O objetivo desse editorial, portanto, é apresentar uma reflexão crítica ao campo, por meio de: (i) questionamento da universalidade das narrativas científicas hegemônicas, que produzem linearidades compreensivas e explicativas; (ii) valorização de saberes e produção de práticas sociais de trabalho territorializadas, reconhecendo a dimensão marginalizada e periférica historicamente associada; (iii) revisão do papel do pesquisador no contexto da produção de conhecimento sobre psicologia, organizações e trabalho; (iv) reapresentação do sujeito, do coletivo e do território, integrados e referenciados em suas perspectivas históricas, políticas e culturais, como indissociáveis à produção de conhecimento situado para imprimir avanços argumentativos sobre as interfaces da psicologia, com as organizações e o trabalho na contemporaneidade.

Biografia do Autor

  • Fabiana Pinto de Almeida Bizarria, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/MG

    Estágio Pós-doutoral, Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Estadual do Ceará. Doutora e Mestre em Administração, Universidade de Fortaleza. Especialista em Saúde Pública, com ênfase em Saúde do Trabalhador, e Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará. Professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Minas, com atuação na Graduação e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública na Universidade Federal do Piauí. Experiência profissional como Psicóloga Organizacional e do Trabalho e Gestão de Pessoas (Coordenação, Gerência e Chefia de Unidades), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, UNILAB. Experiência docente no âmbito da Universidade Aberta do Brasil. Bolsista CAPES no Mestrado e bolsista FUNCAP no Doutorado. Estudos e pesquisas sobre: Relações de Trabalho e Gestão de/com/por Pessoas, Estudos Organizacionais, Administração Pública e Gestão Social, Estudos Críticos, Pós-coloniais e Decoloniais. Representante do Brasil junto à Red Internacional Femenina para la Investigación en Emprendimiento, Innovación y Sostenibilidad RedIFIEIS (REG-RED-20-0117).

  • Leonardo Victor de Sá Pinheiro, Universidade Federal do Piauí – UFPI

    Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mestre em Administração pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Psicólogo e Bacharel em Administração. Coordenador do Mestrado Profissional em Gestão Pública (PPGP/UFPI). Professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e dos Mestrados Profissionais em Administração Pública (PROFIAP/UFPI) e Gestão Pública (PPGP). Membro permanente da Red Iberoamericana de Psicología de las Organizaciones y el Trabajo (RIPOT). Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) em Gestão e Sustentabilidade (GESUS) e do Núcleo de Pesquisa em Psicossociologia, Trabalho e Estudos Socioambientais (NUPYTES) em parceria com a PUC-Minas. Desenvolve pesquisas relacionadas aos seguintes temas: Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional, Saúde Mental no Trabalho, Gestão Social, Gestão Pública, Gestão Ambiental e Sustentabilidade, Psicologia Ambiental, Nomofobia e Gestão em Contextos de Crises, Emergências e Desastres.

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Publicado

2026-04-26

Edição

Seção

Textos de Opinião