Medicamentos inadequados para idosos na estratégia da saúde da família

Autores

  • Patricia Huffenbaecher Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Araraquara
  • Fabiana Rossi Varallo Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de MEsquita Filho"
  • Patrícia de Carvalho Mastroianni Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de MEsquita Filho"

DOI:

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2012v8n3p56-67

Palavras-chave:

Idosos. Medicamentos potencialmente inadequados. Gerenciamento de segurança. Programa de Saúde da Família.

Resumo

O processo de envelhecimento pode alterar os parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos, de modo que alguns medicamentos são considerados potencialmente inadequados (MPI) para os idosos, uma vez que aumentam a probabilidade de ocorrência de eventos adversos. Os objetivos são estimar a frequência de idosos em uso de MPI, com interações medicamentosas potencialmente perigosas (IMPP) e avaliar o impacto de intervenção farmacêutica (IF) para a prescrição de alternativas terapêuticas mais seguras. Realizou-se estudo transversal em duas unidades da Estratégia da Saúde da Família (ESF) de um município da região de Araraquara (SP), em janeiro e fevereiro de 2012. Os prontuários médicos dos idosos ?60 anos e que utilizavam pelo menos um medicamento foram consultados para identificação dos MPI e das IMPP, segundo o critério de Beers e a Organização Mundial da Saúde. Os MPI identificados foram classificados segundo o sistema de classificação anatômica-terapêutica-química (ATC) e quanto a essencialidade (critérios de segurança, qualidade, efetividade e custo).A IF constou de carta de orientação ao médico da instituição, com sugestão de equivalentes terapêuticos mais seguros para a faixa etária estudada. Como resultado, 358 idosos contemplaram os critérios de inclusão, sendo que 93 deles (26%) utilizavam pelo menos um MPI. Dos 114 fármacos prescritos para os idosos, dez foram classificados MPI, dos quais quatro atuam no sistema nervoso central, quatro no sistema cardiovascular e dois no trato digestório. Sete MPI estão presentes na relação de medicamentos essenciais (RENAME-2010). Foram identificadas 14 diferentes interações medicamentosas, das quais duas são IMPP (fluoxetina/amitriptilina e digoxina/hidroclorotiazida). Após a IF, não se observaram alterações nas prescrições medicamentosas avaliadas. A prescrição medicamentosa de idosos assistidos nas ESF pesquisadas apresentam problemas de segurança farmacoterapêutica, os quais podem ser responsáveis por agravos à saúde para esta faixa etária. Embora a intervenção por carta não tenha sido efetiva para a adesão dos médicos para a prescrição de equivalentes terapêuticos mais seguros, faz-se necessária ampla divulgação dos MPI e IMPP entre os profissionais prescritores, bem como a inclusão de alternativas mais seguras para idosos na RENAME, a fim de contribuir para a promoção do uso racional de medicamentos.

Biografia do Autor

  • Patricia Huffenbaecher, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Araraquara
    Enfermeira e aluna do Curso de Especialização de Saúde Pública da FCFAR-UNESP.
  • Fabiana Rossi Varallo, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de MEsquita Filho"

    Farmacêutica-Bioquímica pela FCFAR-UNESP, aluna de doutorado do Programa de Ciências Farmacêuticas da FCFAR-UNESP e mestre pelo mesmo programa. Atua na linha de gerenciamento de risco de tecnologias em saúde, com ênfase em farmacovigilância hospitalar.

  • Patrícia de Carvalho Mastroianni, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de MEsquita Filho"
    Doutora em Ciências da Saúde pela Unifesp, com
    estágio  de  pós  doutorado  em  Farmácia  Socia l  pela  Universidade de Sevilla, professora assitente doutora da FCFAR-UNESP do departamento de fármacos e medicamentos. Atua na área de farmácia social (saúde coletiva), com os temas: uso racional de medicamentos, legislação farmacêutica, farmácia hospitalar, propaganda de medicamentos e farmacovigilância.

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Publicado

2012-11-26

Edição

Seção

Artigos