Perfil nutricional de pessoas com deficiência e a alta prevalência de obesidade em Síndrome de Down e na população feminina

Autori

  • Renata Maria Galvão de Campos Cintra UNESP - Instituto de Biociências de Botucatu
  • Karina Fernandes Camargo Universidade Estadual Paulista -Instituto de Biociências de Botucatu (vinculo anterior) Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Medicina de Botucatu (vinculo anterior) Santa Casa de misericórdia de Presidente Prudente (vinculo atual)

DOI:

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2018v14n3p9-21

Parole chiave:

Estado nutricional. Obesidade. Desnutrição. Portadores de deficiência. Síndrome de Down

Abstract

A atenção à saúde deve incluir o cuidado global com a nutrição e alimentação da população, incluindo grupos populacionais que apresentem deficiências. A atuação multidisciplinar é essencial para a melhora da qualidade de vida, e a atuação dos profissionais de saúde deve basear-se no reconhecimento das características da população alvo. Pessoas com deficiência podem estar sujeitas a alterações metabólicas, a limitações no ato de alimentar-se, a interações e efeitos de medicamentos e a fatores que interferem em seu estado nutricional. A avaliação do estado nutricional visa ao diagnóstico da população a fim de traçar estratégias de tratamento ou prevenção de agravos à saúde vinculados à nutrição e à alimentação. O presente estudo teve como objetivo conhecer, por meio de medidas antropométricas, o estado nutricional de população atendida em escola para pessoas com deficiência, sendo a etapa inicial para a realização de intervenções de educação e atenção nutricional a essa população. Material e métodos: avaliaram-se os alunos de uma instituição de ensino para pessoas com deficiência situada em cidade de porte médio no interior do estado de São Paulo. Crianças, adolescentes e adultos (7-49 anos) portadores de diferentes deficiências foram avaliados quanto ao Índice de Massa Corporal (IMC) e área de gordura do braço (AGB). A avaliação do IMC dos adultos e do peso para idade para crianças e adolescentes foi realizada segundo OMS e NCHS, respectivamente. Para portadores de síndrome de Down (SD) até 18 anos, empregou-se a curva de crescimento de Cronk. Resultados: foram realizadas avaliações em 111 pessoas com deficiência, de ambos sexos e entre 7 e 59 anos de idade. A maioria dessas pessoas (53%) foi de adultos e do sexo feminino (64%), e 11% apresentam SD. De acordo com dados antropométricos, 74% apresentam algum problema nutricional, destacando-se a desnutrição (26%) e a obesidade (20,7%). A comparação do estado nutricional entre portadores ou não de SD, apontou para a alta prevalência de obesidade, enquanto a desnutrição atinge os não portadores. A prevalência de excesso de peso também é maior entre as mulheres, observação mais evidente quando na situação de SD. A massa de gordura no braço também foi maior na SD. Conclusão: O quadro nutricional entre pessoas com deficiência, a partir dos dados da entidade de ensino, é preocupante pois há alta prevalência de situações extremas, como o baixo peso e o excesso de peso. Em pessoas portadoras da SD, a obesidade é o estado nutricional prevalente, e é ainda mais evidente entre as mulheres com SD. O estudo permitiu obter dados para reconhecimento da população e suas características nutricionais. A fim de melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, são necessárias ações, como o cuidado integral da pessoa, por exemplo, que reduzam o peso excessivo e a desnutrição. Os dados do perfil nutricional são essenciais para a realização de atividades de uma intervenção, com estratégias adequadas a população alvo, para prevenção ou tratamento dos distúrbios nutricionais.

Biografie autore

  • Renata Maria Galvão de Campos Cintra, UNESP - Instituto de Biociências de Botucatu

    Professor assistente doutor atuando na área de Nutrição, sendo uma das áreas de ação Nutrição em saúde Pública, Avaliação nutricional de populações, Epidemiologia da nutrição, as quais este trabalho está vinculado.

    Docente do Departamento de Educação do Instituto de Biociências de Botucatu, da Unesp. Responsável por disciplinas de graduação e pelo laboratório didático  denominado CEPRAN , Centro de Estudos e Práticas em Nutrição, onde estagiários realizam ações com a comunidade em orientação, avaliação e educação nutricional, com atendimentos nutricionais e multiprofissionais. As pesquisas atuais envolvem associaação entre consumo de alimentos funcionais e consumo de alimentos fonte de micronutrientes e obesidade ou doenças crônicas não transmissíveis. Estes trabalhos vem sendo realizados em população adulta ou em crianças na comunidade e atendidas no CEPRAN.

  • Karina Fernandes Camargo, Universidade Estadual Paulista -Instituto de Biociências de Botucatu (vinculo anterior) Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Medicina de Botucatu (vinculo anterior) Santa Casa de misericórdia de Presidente Prudente (vinculo atual)
    Nutricionista participante como bolsista pela Pro reitoria de Extensão da Unesp de projeto de extensão "Atenção a alimentação e Nutrição em entidade social APAE"
    Mestre pela Faculdade de Medicina de Botucatu Unesp.
    Atuação na área clínica e de marketing e orientação alimentar.
    Atualmente nutricionista coordenadora na Santa Casa Presidente Prudente SP

Riferimenti bibliografici

ANSELMO, M. A. C.; BURINI, R. C. Antropometria: Aspectos Históricos e Visão Crítica. Cadernos de Nutrição. (SBAN) São Paulo, n. 3, p. 11-25, 1991.

Bonchoski, P.A.; Gorla, J.I.; Araújo, P.F. Estudo antropométrico em portadores da Síndrome de Down. Disponible em: http://www.efdeportes.com/efd70/down.htm http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 10 - N° 70 - Marzo de 2004.

COOLEY, W.C.; GRAHAM, J.M. Down syndrome: An update and review for the primary pediatriacian. Clin Pediat. v.30, p.233-53, 1991.

CRONK C.; CROCKER, A.C.; PUESCHEL, S.M.; SHEA, A.M.; ZACKAI, E.; PICKENS, G.; Growth tables for children with Down syndrome: 1 month to 18 years of age. Pediatrics. v.81, n.1, p.102-10, 1988.

CUPPARI, L. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. Ed. Manole, Barueri-SP, 2002. Cap. 5, 71 p.

FRISANCHO, A. R. Antropometric standards for the assessment of growth and nutritional status. University of Michigan, 1990, 189 p.

GALLAGHER, D.; HEYMSFIELD, S.B.; HEO, M.; JEBB, S.A.; MURGATROYD, P.R.; SAKAMOTO, Y. Healthy percentage body fat ranges: An approach for developing guidelines based on body mass index. American J. Clinical Nutrition. v.72, n.3, p. 694–701, 2000.

GIARETTA A, GHIORZI AR. O ato de comer e as pes¬soas com Síndrome de Down. Rev Bras Enferm. v.62, n.3, p.480-484, 2009.

GONÇALVES, G.F. Avaliação nutricional dos alunos da APAE de Vila Velha, com Síndrome de Down, paralisia cerebral e/ou autismo. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Católica Salesiana - Vitória - Espírito Santo, 2003, p.64.

OLIVEIRA, A.T.A.; LONGUI, C.A.; CALLIARI, L.E.P.; FERONE, E.A.; KAWAGUTI, F.S.; MONTE, O. Avaliação do eixo hipotalâmico-hipofisário-tireoidiano em crianças com síndrome de Down. J Pediatr.v.78, p.295-300, 2002.

PESQUISA DE ORÇAMENTOS FAMILIARES 2002-2003 Análise da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos e do Estado Nutricional no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2004. 80 p. Disponível em:

http://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=287972 . Acesso em: dez, 15, 2016.

PÉREZ, E.P.; BARÓ, E.G.; FRANCO, A.M.D. Estrategia educativa para el control y prevención del maltrato infantil dirigida a padres de niños con síndrome de Down. Revista Cubana de Pediatría v.83, n.1, p.22-33, 2011.

LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign: Human Kinetics, 1988.

LOPES, T.S.; FERREIRA, D.M.; PEREIRA, R.A.; DA VEIGA, G.V.; DE MARINS, V.M. Comparação entre distribuições de referência para a classificação do estado nutricional de crianças e adolescentes com síndrome de Down Assessment of anthropometric indexes of children and adolescents with Down syndrome. J. Pediatr. (Rio J) v.84, n4, p.350-356, 2008.

MUSTACCHI, Z.; ROZONE, G. Síndrome de Down: aspectos clínicos e odontológicos. São Paulo, 1990. 248 p.

MOREIRA, L.M.A.; EL-HANI, C.N.; Gusmão, F. A síndrome de Down e sua patogênese: considerações sobre o determinismo genético. Rev Bras Psiquiatr. v.22, n.2, p.96-99, 2000.

NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS (NCHS). NCHS growth curves for children birth-18 years, United States.Washington DC: US Department of Health Education and Welfare; 1977.

NUNES, L. R. O. P.; FERREIRA, J. R. Deficiência Mental: O Que as Pesquisas Brasileiras tem Revelado. Tendências e Desafios da Educação Especial. Brasília: SEESP, 1994, p. 51-81.

PRASHER, V.P. Overwheight and obesity amongst Down's syndrome adults. J. Intellectual Disability Research, v.39, n.5, 437-441, 1995

RIBEIRO, L.M.A.;JACOB, C.M.A.; PASTORINO, A.C.;KIM, C.A.E.; FOMIM, A.B.F.; CASTRO, A.P.B.M. Avaliação dos fatores associados a infecções recorrentes e/ou graves em pacientes com síndrome de Down. J Pediatr. v.79, n.2, p.141-148, 2003.

ROIESKI, I.M. Uma avaliação do perfil nutricional de adolescentes com Síndrome de Down para um eficiente aconselhamento dietético. Ulbra e Movimento (REFUM), J i -Paraná, v.2, n.1, p.75-85, 2011.

RODRIGUES, B.S.; PELLANDA, L.C.; GOTTSCHALL, C.B.A. Evaluación nutricional de niños y adolescentes con síndrome de down y cardiopatía congénita. Nutritional assessment of children and teenagers with down syndrome and congenital cardiopathy Rev Chil Nutr v. 39, n.2, p.151-158, 2012.

SIGULEM, D.M.; DEVINCENZI, M.U.; LESSA, A.C. Artigo de revisão: Diagnóstico do estado nutricional da criança e do adolescente. Sociedade Brasileira de Pediatria. Jornal de Pediatria, 2000.

SARNI, .RO.; MUNEKATA, R.V. Terapia nutricional na desnutrição energético-proteíca grave. In: Lopez FA, Sigulem DM, Taddei JA, editores. Fundamentos da terapia nutricional em pediatria. São Paulo: Sarvier; 2002. p. 115-32.

SILVA, D.L.; SANTOS,J.A.R.; MARTINS, C.F. Avaliação da Composição Corporal em Adultos com Síndrome de Down Arquivos de Medicina, Porto, PT v. 20, n.4, p.103-110, 2006. ISSN 0871-3413 • ArquiMed, 2006.

SILVA, N.M.; GOMES FILHO, A.; SILVA, S.F.; FERNANDES FILHO, J. Indicadores antropométricos de obesidade em portadores da síndrome de Down entre 15 e 44 anos. Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, v.23, n.4, p.415-24, 2009.

SMITH, B.A.; KUBO, M.; BLACK, D.P.; HOLT, K.G.; ULRICH, B.D. Effect of Pratice on a Novel Task – Walking on a Treadmill: Preadolescents with and without Down Syndrome. Am. Physical Therapy Assoc.v.87, p.766-77, 2007.

VIS, J.C.; DUFFELS, M. G. J.; WINTER, M. M.; WEIJERMAN, M. E.; COBBEN, J. M.; HUISMAN, S. A; MULDER, B. J. M. Down syndrome: a cardiovascular perspective. Journal of Intellectual Disability Research v.53, n. 5, p. 419–425, 2009. doi: 10.1111/j.1365-2788.2009.01158.x

WEIJERMAN, M.E.; VAN FURTH, A.M.; VAN DER MOOREN, M.D.; VAN WEISSENBRUCH, M.M.; RAMMELOO, L.; BROERS, C.J.M.; GEMKE, R.J.B.J. Prevalence of congenital heart defects and persistent pulmonary hypertension of the neonate with Down syndrome. Eur J Pediatr v.169, p.1195–1199, 2010.

WHO (World Health Organization). Physical status: the use and interpretation of antropometry: report of a WHO Expert Committee. Geneva: The Organization, 1995. WHO Technical Report Series n. 854. Geneva: WHO; 1995

WHO (World Health Organization). Obesity: Preventing and managing the global epidemic. Geneva, 1997.

WHO (World Health Organization). Global health risks: mortality and burden of disease attributable to selected major risks. Geneva: World Health Organization, 2009.

Pubblicato

2018-09-30

Fascicolo

Sezione

Artigos