Intercâmbio cultural e identidade: um estudo das repercussões da aprendizagem da língua inglesa no exterior na identidade de jovens graduandos

Auteurs-es

  • Sylvia Cristina de Azevedo Vitti FATEC - Faculdade de Tecnologias Deputado Roque Trevisan, Pitracicaba/SP

DOI :

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2018v14n3p181-182

Mots-clés :

Intercâmbio cultural. Identidade. Língua Inglesa. Interculturalidade. Educação sociocomunitária.

Résumé

Este trabalho investiga e estuda as relações entre a experiência de intercâmbio cultural no exterior e as repercussões disso na identidade de jovens graduandos, visando analisar e compreender como a aprendizagem de uma nova língua, no caso a inglesa, e a assimilação de aspectos culturais da mesma e do seu povo podem afetar o processo de “construção/desconstrução” da identidade de jovens que vivem a experiência de imersão cultural em países anglófonos. O presente trabalho estuda o ser humano e considera seu caráter ativo, como sujeito que interpreta o mundo continuamente e produz significados. Partindo-se do pressuposto de que o ser humano, como ser cultural e social, constitui a linguagem e é constituído pela mesma, são analisadas a importância, as articulações e a interdependência da cultura, linguagem e relações sociais na formação da identidade dos seres humanos, com base na leitura das obras de teóricos contemporâneos que tratam da identidade humana. É apresentada uma análise do atual status da língua inglesa como língua internacional na era da globalização, assim como do seu uso e ensino nas escolas públicas e privadas no Brasil e também em outros países do atual mundo globalizado, no qual esse idioma se impõe como língua internacional, global ou língua franca. São apresentadas articulações entre educação, educação intercultural, educação sociocomunitária e possíveis transformações sociais decorrentes do processo de interculturalidade com base em escritos de estudiosos do assunto, segundo os quais a educação interculturalestimula a abertura para o diálogo e a negociação com culturas diferentes, o reconhecimento e valorização do “diferente” e do “outro”, das diferenças culturais e sociais, colocando os indivíduos em contato com novos costumes, crenças e valores, alargando o seu horizonte de compreensão da realidade. Em consonância com essas considerações, a vivência no exterior é um fator que favorece transformações pessoais, grupais e sociais, mediante o desenvolvimento da capacidade pessoal de reflexão, de crítica, de autonomia e de emancipação dos sujeitos. Participaram da pesquisa dezessete (17) estudantes, graduandos de ambos os sexos, que foram contemplados com bolsas de estudo para intercâmbio cultural em países de língua inglesa - Estados Unidos da América do Norte e Inglaterra. As bolsas de estudo foram concedidas pela instituição em que estudavam, duas unidades de uma Faculdade de Tecnologia, do governo do estado de São Paulo, situadas nas cidades de Piracicaba e Americana, dentro do “Programa de Intercâmbio Cultural do Centro Paula Souza”, assim como pelo programa “Ciência sem Fronteiras”, criado pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC, em 2012. Os jovens, sujeitos da pesquisa, foram entrevistados e sua fala foi registrada e analisada. Os dados coletados são apresentados, analisados e discutidos à luz dos pressupostos teóricos adotados para a fundamentação da pesquisa no tocante à compreensão da construção da identidade humana. A análise dos relatos dos sujeitos revela que a experiência adquirida extrapolou a mera aquisição de habilidades linguísticas e o aperfeiçoamento no idioma inglês, incialmente buscados como meio de melhor se posicionarem no mercado de trabalho e no mundo globalizado. Este estudo revela os sentidos que os jovens participantes atribuíram à prática do intercâmbio, assim como as experiências que os marcaram em sua estadia em outro país e outra cultura, mediadas pela aprendizagem da língua inglesa, assim como as repercussões dessa vivência na sua identidade.A experiência de intercâmbio revela-se como prática social para o desenvolvimento da interculturalidade e da educação intercultural, que fortalece a construção de identidades dinâmicas, abertas e plurais, contribuindo e estimulando o desenvolvimento da autoestima e autonomia dos sujeitos e de sociedades mais igualitárias. Os depoimentos fornecidos pelos intercambistas ratificam as observações e colocações de especialistas em educação sobre a importância e o valor da educação intercultural e mostram como a experiência do intercâmbio repercutiu no processo de “construção/desconstrução” de sua identidade. A maioria deles expressou quão significativa foi a oportunidade de entrar em contato com outra cultura e como essa experiência, em suas próprias palavras, foi “transformadora e única”, “abriu-lhes a mente”, gerando “nova visão de mundo”, ajudando-os no desenvolvimento de sua autonomia e autoestima e a superar preconceitos e a tornarem-se mais críticos e reflexivos. A análise dos relatos dos sujeitos revela que a experiência vivida favoreceu mudanças no seu modo de pensar e agir, proporcionando-lhes desenvolvimento cultural, pessoal e profissional, desenvolvimento da autoconfiança e crescimento em maturidade, desenvolvimento do respeito pela diferença e pela diversidade cultural, assim como consciência global. A análise dos dados coletados também evidencia o movimento, a fluidez e a dinâmica do processo de formação da identidade humana. Os resultados obtidos mostram que os intercambistas retornaram diferentes de quando partiram e plenamente conscientes dessas mudanças. Esses jovens intercambistas podem ser considerados embaixadores de sua própria cultura e agentes de futuras transformações sociais no sentido de uma sociedade e de um mundo mais abertos ao diálogo, que têm no horizonte a construção de um mundo melhor.

Biographie de l'auteur-e

  • Sylvia Cristina de Azevedo Vitti, FATEC - Faculdade de Tecnologias Deputado Roque Trevisan, Pitracicaba/SP
    Professora de ensino superior da FATEC (Faculdade de Tecnologia Deputado Roque Trevisan - Centro Paula Souza) - Piracicaba/SP, já tendo atuado no ensino superior, fundamental, médio e em cursos livres. É Mestre em Educação pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL) e possui Especialização em Formação de Tradutores em Língua Inglesa pelo Centro Universitário Claretiano de Rio Claro (SP). É graduada em Letras - Licenciatura Plena (Inglês e Português) pela Universidade Metodista de Piracicaba (SP) - UNIMEP (2004) e também graduada em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP (1995). Durante sua estadia de 2 anos e meio em Londres, obteve os três principais certificados proferidos pela Universidade de Cambridge - Certificado de Proficiência em língua inglesa (CPE) (Certificate of Proficiency in English / University of Cambridge - UK), - Certificado de Nível Avançado em Língua Inglesa (CAE) (Certificate in Advanced English - University of Cambridge - UK ) e - Primeiro Certificado em Língua Inglesa (FCE) (First Certificate in English- University of Cambridge - UK.). Neste mesmo período também realizou diversos cursos de aprimoramento das habilidades linguísticas referentes ao idioma inglês (totalizando mais de 2000 h de cursos), além de ter trabalhado no exterior em ambiente multicultural. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas, atuando como professora de inglês por 19 anos. Grupo de pesquisa: Conhecimento e análise das intervenções na práxis educativa sociocomunitária. Área de interesse de pesquisa - O ensino de língua inglesa e o intercâmbio cultural.

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Publié

2018-09-30

Numéro

Rubrique

Resumos de Trabalhos de Conclusão de Curso, Dissertações e Teses