A extensão universitária e a prevenção da violência obstétrica

Auteurs-es

  • Thamiles Sena da Silva Universidade Estadual de Feira de Santana image/svg+xml
  • Rosana Oliveira de Melo Universidade Estadual de Feira de Santana image/svg+xml
  • Mariana Pompeu Sodré Universidade Estadual de Feira de Santana image/svg+xml
  • Rita de Cássia Rocha Moreira Universidade Estadual de Feira de Santana image/svg+xml
  • Zannety Conceição Silva do Nascimento Souza Universidade Estadual de Feira de Santana image/svg+xml

DOI :

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2017v13n1p176-189

Mots-clés :

Educação em saúde, Violência obstétrica, Pré-natal

Résumé

A violência obstétrica se caracteriza pela apropriação do corpo e dos processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, através do atendimento desumanizado, medicalização e uso de processos artificiais, causando a perda da autonomia e da capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sua sexualidade, impactando negativamente a qualidade de vida de mulheres. Este trabalho acadêmico objetiva relatar a experiência de docentes e discentes em ações extensionistas, com práticas de educação em saúde para a prevenção da violência obstétrica, entre as mulheres atendidas por um projeto de extensão de uma Universidade Pública Estadual na Bahia. Trata-se de um relato de experiência de integrantes de um núcleo de extensão e pesquisa cujas atividades foram desenvolvidas no período de fevereiro a dezembro de 2015, com gestantes atendidas em Unidade Básica de Saúde (UBS) de um município baiano. Realizaram-se as seguintes atividades: atendimento clínico em pré-natal, práticas educativas em saúde, como roda de conversa e capacitação para profissionais de saúde sobre a importância da atenção humanizada à mulher em transcurso parturitivo. As práticas educativas em saúde mostram-se como uma estratégia de caráter efetivo quando o objetivo ofertar informações a uma determinada clientela. Um recurso, por meio do qual, o conhecimento cientificamente produzido no campo da saúde, alcança o cotidiano das pessoas, e se constitui como um conjunto de práticas para a promoção da saúde e prevenção de agravos. A execução das rodas de conversa com apresentação e distribuição de cartilhas despertou interesse das gestantes e seus acompanhantes em sala de espera em conhecer estratégias que possam evitar e prevenir a violência obstétrica. Esse modelo didático possibilita aproximação do estudante com as gestantes, pois incentiva o acolhimento e permite o desenvolvimento intelectual e cognitivo necessários em uma ação educativa. No que diz respeito ao atendimento clínico, foi possível reconhecer a satisfação das mulheres ao serem atendidas pelas estudantes bolsistas e voluntárias, e pelas docentes do projeto de extensão. As consultas clínicas se configuraram como um momento de escuta e diálogo entre gestantes e profissionais, o que tornou possível a formação de vínculos e favoreceu a resolubilidade das situações de saúde demandadas pelas gestantes.  A capacitação dos ACS representou um elo a mais na cadeia de consolidação do movimento em defesa da atenção ao Parto Humanizado, ou seja, uma forma de dizer não à violência obstétrica, uma vez que um dos temas abordados nessa capacitação foi a presença do acompanhante durante o pré-natal, parto e puerpério, garantida pela lei 11.108 de 2005. Assim, a capacitação também se configurou como uma ampliação das ações de extensão, pois, tem-se agora um maior número de pessoas que socializa indiretamente a defesa da não violência obstétrica. Os resultados das atividades de extensão podem possibilitar um novo corpo de conhecimento e vivências que se agregam à teoria apreendida pelos acadêmicos, além de permitir a consolidação das políticas públicas de atendimento à mulher, em especial com vistas à redução da violência obstétrica, bem como, a diminuição dos índices de morbimortalidade materna e infantil no município.

Biographies de l'auteur-e

  • Thamiles Sena da Silva, Universidade Estadual de Feira de Santana
    Departamento de Saúde. Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana-BA. Membro do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Saúde da Mulher (NEPEM).
  • Rosana Oliveira de Melo, Universidade Estadual de Feira de Santana
    Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia. Departamento de Saúde. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana-BA. Membro do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Saúde da Mulher (NEPEM).
  • Mariana Pompeu Sodré, Universidade Estadual de Feira de Santana
    Departamento de Saúde. Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana-BA. Membro do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Saúde da Mulher (NEPEM).
  • Rita de Cássia Rocha Moreira, Universidade Estadual de Feira de Santana
    Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia. Departamento de Saúde. Docente do Curso de Enfermagem e do Mestrado Profissional em Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana-BA. Coordenadora do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Saúde da Mulher (NEPEM). Membro do Núcleo de Pesquisa Integrada em Saúde Coletiva (NUPISC/UEFS)
  • Zannety Conceição Silva do Nascimento Souza, Universidade Estadual de Feira de Santana
    Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia. Departamento de Saúde. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Feira de Santana-BA. Membro do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Saúde da Mulher (NEPEM).

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Publié

2017-03-31

Numéro

Rubrique

Relatos de experiências extensionistas