Acessibilidade geográfica ao serviço de hemodiálise no Vale do Jequitinhonha
DOI:
https://doi.org/10.23901/1679-4605.2022v18n1p108-123Palavras-chave:
Análise espaço-temporal, Acessibilidade aos serviços de saúde, Unidades hospitalares de hemodiálise, Aplicativo de mapeamento digitalResumo
A hemodiálise é a principal alternativa de Terapia Renal Substitutiva utilizada por pacientes com doença renal crônica terminal. Em decorrência dos custos para manutenção dos centros de diálise, é comum a concentração do serviço em municípios com maior infraestrutura na Rede de Atenção à Saúde, sendo necessário o deslocamento dos pacientes de seus municípios de residência.Com isso, podem surgir problemas de acessibilidade geográfica para os pacientes residentes nos 24 municípios do Vale do Jequitinhonha e que necessitam de se deslocarem para uma unidade hospitalar de hemodiálise, localizada no município de Diamantina, para realizarem as sessões de hemodiálise. Assim, procurou-se realizar um estudo ecológico para avaliar os fatores que podem afetar na acessibilidade geográfica ao serviço de hemodiálise como: a rota percorrida do município de residência ao serviço, levando em consideração o tempo e distância de deslocamento, por meio do Google Maps; o perfil socioeconômico, ambiental e demográfico desses municípios por meio de ferramentas como o QGIS e bases de dados de domínio público. Os dados foram analisados pelo Microsoft Excel, demonstrando uma alta vulnerabilidade desses municípios e variações na acessibilidade geográfica ao serviço, com 37,5% dos municípios apresentando um intervalo de 30-100km de distância do serviço, enquanto 50% e 12,5% possuem cerca de 101-200Km e 201-250Km de distância, respectivamente, mediana de 127,5Km, com tempos de viagem semanais de 40min a 4h10min. Observam-se deslocamentos maiores que o recomendado, podendo acarretar pior prognóstico em saúde, o que mostra a importância desse estudo para o planejamento dos serviços de saúde pelos municípios, considerando uma região tão carente de recursos como o Vale do Jequitinhonha.Referências
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução nº 11, de 13 de março de 2014. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2014. Disponível em: <http://abcdt.org.br/wp-content/uploads/14-03-2014-rdc-11-requisitos-boas-prticas-funcionamento-servios-de-dilise.pdf>. Acesso em: 16 agosto 2022
BATISTA, C. B.; CARVALHO, M. L.; VASCONCELOS, A. G. G. Access to and use of health services as factors associated with neonatal mortality in the North, Northeast, and Vale do Jequitinhonha regions, Brazil. Jornal de Pediatria, v. 94, n. 3, p. 293–299, 1 maio 2018.
BEZERRA, J. N. M. et al. Health literacy of individuals undergoing dialysis therapy. Texto e Contexto Enfermagem, v. 28, 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes clínicas para o cuidado ao paciente com doença renal crônica – DRC no Sistema Único de Saúde. Brasília: [s.n.]. 2014. p.: 37 p.: il.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Trata sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa em ciências humanas e sociais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 maio 2016.
CHANG, Y.T. et al. Cost-effectiveness of hemodialysis and peritoneal dialysis: A national cohort study with 14 years follow-up and matched for comorbidities and propensity score OPEN. 2016.
CADASTRO NACIONAL DE ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE (CNES). Disponível em: <https://cnes.datasus.gov.br/pages/estabelecimentos/consulta.jsp> Acesso em: 08 novembro 2021.
DIAS, M. K.; FERIGATO, S. H.; FERNANDES, A. D. S. A. Attention to the crisis in mental health: Centralization and decentralization of practices. Ciencia e Saude Coletiva, v. 25, n. 2, p. 595–602, 1 fev. 2020.
FIRJAN. Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. Disponível em: <https://www.firjan.com.br/ifdm/>. Acesso em: 08 novembro 2021.
GAO, F.; JAFFRELOT, M.; DEGUEN, S. Measuring hospital spatial accessibility using the enhanced two-step floating catchment area method to assess the impact of spatial accessibility to hospital and non-hospital care on the length of hospital stay. BMC Health Services Research, v. 21, n. 1, 1 dez. 2021.
HARZHEIM, E. et al. New funding for a new Brazilian primary health care. Ciencia e Saude Coletiva, v. 25, n. 4, p. 1361–1374, 1 abr. 2020.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (IBGE). Panorama das cidades brasileiras. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/panorama>. Acesso em: 08 novembro 2021.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Atlas da Vulnerabilidade Social. Disponível em: <http://ivs.ipea.gov.br/index.php/pt/>. Acesso em: 08 novembro 2021.
JIAO, W.; HUANG, W.; FAN, H. Evaluating spatial accessibility to healthcare services from the lens of emergency hospital visits based on floating car data. International Journal of Digital Earth, v. 15, n. 1, p. 108–133, 2022.
KIANI, B. et al. Comparing potential spatial access with self-reported travel times and cost analysis to haemodialysis facilities in north-eastern Iran. Geospatial Health, v. 13, n. 2, p. 240–246, 13 nov. 2018.
KOHLOVÁ, M. et al. The biocompatibility and bioactivity of hemodialysis membranes: their impact in end-stage renal disease. Journal of Artificial OrgansSpringer Tokyo, 2019.
LEVESQUE, J. F.; HARRIS, M. F.; RUSSELL, G. Patient-centred access to health care: Conceptualising access at the interface of health systems and populations. International Journal for Equity in Health, v. 12, n. 1, 2013.
LINDHOLM, D. et al. New method for assessing the effect of driving distance to hospital care using openstreetmap routing in cardiovascular research. Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, v. 10, n. 9, 1 jun. 2017.
LINS, S. M. S. B. et al. Subconjunto de conceitos diagnósticos da CIPE para portadores de doença renal crônica. Revista Brasileira de Enfermagem, p. 180–189, 21 mar. 2013.
MATHISON D.J, et al. Densidade espacial da atenção primária e utilização do departamento de emergência não urgente: uma nova metodologia para avaliar o acesso ao cuidado. Academic Pediatrics. 2013;13(3):278–85. <https://doi.org/10.1016/j.acap.2013.02.006>.
NATIONAL KIDNEY FOUNDATION. K/DOQI Clinical practice guidelines for chronic kidney disease: evaluation, classification and stratification. American Journal Kidney Disease, v. 39, n. 1, p. 1–266, 2002.
NEUTENS, T. Acessibilidade, Equidade e Cuidados de Saúde: Orientações de Revisão e Pesquisa para Geógrafos de Transporte. Journal of Transport Geography 43: 14 – 27, 2015.
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Índice de Desenvolvimento Humano. Disponível em: <https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0/rankings/idhm-municipios-2010.html>. Acesso em: 08 novembro 2021.
ROSSETTO, L.; MARION FILHO, P. J. Estrutura etária e crescimento econômico: evidências no Rio Grande do Sul/Brasil (1991-2010). Economía Sociedad y Territorio, 1 set. 2018.
SANTOS, M. I. P. O. et al. Letramento funcional em saúde na perspectiva da Enfermagem Gerontológica: revisão integrativa da literatura. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 18, n. 3, p. 651–664, set. 2015.
SCHIERHOLT, M. I.; SILVA, JR., G. E. Desigualdade de renda nas microrregiões do Vale do Jequitinhonha – Minas Gerais. Estudos do CEPE, n. 44, p. 17, 21 dez. 2016.
SCHMITZ, M. M. et al. Did Saving Mothers, Giving Life Expand Timely Access to Lifesaving Care in Uganda? A Spatial District-Level Analysis of Travel Time to Emergency Obstetric and Newborn Care. Global Health: Science and Practice, v. 7, p. 151–167, 2019.
SILLS, M. R. et al. Resource Burden at Children’s Hospitals Experiencing Surge Volumes During the Spring 2009 H1N1 Influenza Pandemic. [s.d.].
SILVA, L. L. et al. Emergency Care Gap in Brazil: Geographical Accessibility as a Proxy of Response Capacity to Tackle COVID-19. Frontiers in Public Health, v. 9, 16 nov. 2021.
WEISS, D. J. et al. Global maps of travel time to healthcare facilities. Nature Medicine, v. 26, n. 12, p. 1835–1838, 1 dez. 2020.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Ciência em Extensão

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. A publicação do artigo implica a cessão integral dos direitos autorais à Revista Ciência em Extensão. A reprodução total dos seus artigos em outras publicações, ou para qualquer outra utilidade, está condicionada à autorização por escrito do Editor da Revista Ciência em Extensão. O primeiro autor deverá acessar a página Cessão de Direitos Autorais e conforme o modelo disponibilizado deverá digitalizar a folha contendo as assinaturas na declaração de cessão dos direitos autorais por todos os autores e incluir como documento suplementar. As declarações de autorização para divulgação de imagens são de responsabilidade exclusiva dos autores. Caso não tenha acesso a todos os autores neste momento de excepcionalidade devido a COVID-19 utilize esta versão do TERMO DE CESSÃO – COVID-19.