Relato de ações de educação em saúde em comunidade quilombola

Autores

  • Cristina Berger Fadel Professora do Departamento de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
  • Isabele Savi Sanson Enfermeira, Pós-Graduanda do Curso de Pós-Graduação de Gestão em Saúde, Universidade Estadual de Ponta Grossa, PR. Brasil.
  • Lara Campos Pulitano Acadêmica de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ponta Grossa-PR, Brasil.
  • Manoelito Ferreira Silva Junior Professor Colaborador do Departamento de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

DOI:

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2022v18n1p444-458

Palavras-chave:

Educação em saúde. Saneamento básico. Comunidades vulneráveis. Acesso aos serviços de saúde.

Resumo

Apesar do grande avanço das leis que buscam incluir comunidades quilombolas e ampliar serviços de saúde em regiões segregadas como as comunidades de remanescentes de quilombos, a universalidade de acesso ainda não é uma realidade. Pensando nisso o objetivo do presente trabalho é descrever um relato de experiência referente ao desenvolvimento do projeto “Educação em Saúde como Ferramenta de Prevenção e Empoderamento de uma Comunidade Quilombola”, desenvolvido pela Universidade sem Fronteiras pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Tal projeto foi o estudo exploratório descritivo, quanti-qualitativo com caráter de pesquisa-ação, e aplicação de um grupo focal desenvolvida junto à totalidade de moradores da comunidade quilombola do Sutil, Ponta Grossa/PR. Foi desenvolvido um instrumento com variáveis socioeconômicas, saúde geral e bucal a fim de traçar as principais necessidades da comunidade. Foram observadas as principais barreiras encontradas pelos moradores dessas comunidades, são elas: dificuldade de acesso a serviços de saúde, transporte, e falta de saneamento básico como rede de esgoto e abastecimento de água, reforçando a situação de vulnerabilidade social. Sendo realizadas doze atividades junto à comunidade sobre diversos temas. Por fim, o gestor neste contexto deve promover a inclusão dessas comunidades, descentralizando a oferta da rede de serviços públicos de saúde deixando de focar apenas na ampliação da oferta dos serviços nas sedes dos municípios, e sim nas necessidades de acesso dos usuários em regiões mais distantes.

Referências

AKINTOBI, T. H. et al. Assessing the Oral Health Needs of African American Men in Low-Income, Urban Communities. American Journal of Men’s Health, v. 12, n. 2, p. 326–337, mar. 2018.

ALMEIDA, C. B. et al. Reflexão sobre o controle do acesso de quilombolas à saúde pública brasileira. Avances en Enfermería, v. 37, n. 1, p. 92–103, jan. 2019.

ALMEIDA, M. A. B.; GUTIERREZ, G. L.; MARQUES, R. Qualidade de vida: definição, conceitos e interfaces com outras áreas de pesquisa. São Paulo: Escola de Artes, Ciências e Humanidades – EACH/USP, 2012.142p.: il.

ALVES, S.; OLIVEIRA, M. Sociocultural aspects of health and disease and their pragmatic impact. Journal of Human Growth and Development, v. 28, n. 2, p. 183-188, 2018.

ANDRADE, F. C. D.; MEHTA, J. D. Increasing educational inequalities in self-rated health in Brazil, 1998-2013. PLOS ONE, v. 13, n. 4, p. e0196494, abr. 2018.

BACKES, D. S. et al. The Idealized Brazilian Health System versus the real one: contributions from the nursing field. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 22, n. 6, p. 1026–1033, dez. 2014.

BOND, L. Unicef: mortalidade infantil tem redução histórica no Brasil. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/saude>. Acesso em: 16 ago. 2020.

BULGARELI, J. et al. Determinants of Adherence to Dental Treatment of Adolescents in Social Vulnerability in Primary Care. PREPRINT (Version 1) available at Research Square, 2020.

BURGOS, G.; RIVERA, F.; GARCIA, M. Contextualizing the Relationship between Culture and Puerto Rican Health: Towards a Place-Based Framework of Minority Health Disparities. Centro Journal, v. xxix, p. 36–73, 2017.

CARDOSO, C.; MELO, L. DE; FREITAS, D. Health conditions in quilombola communities. Journal of Nursing, v. 12, n. 4, p. 1037–1045, apr. 2018.

CENSO DEMOGRÁFICO 2010. Características da população e dos domicílios: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Acompanha 1 CD-ROM. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf>. Acesso em: mar. 2013.

CHA, S. et al. Trends of improved water and sanitation coverage around the globe between 1990 and 2010: inequality among countries and performance of official development assistance. Global Health Action, v. 10, n. 1, feb. 2017.

COELHO, J. Construindo a Participação Social no SUS: um constante repensar em busca de equidade e transformação. Saúde e Sociedade , v. 21, suppl. 1, p. 138–151, 2012.

COULTER, A.; COLLINS, A. Making shared decision - making a reality. No decision about me, without me. Resumo original: Disponível em: <https://proqualis.net/relatorio/fazendo-das-decisões-compartilhadas-uma-realidade-nenhuma-decisão-sobre-mim-sem-minha#:~:text=Resumo%3A,nas preferências informadas pelo paciente.>. Acesso em: 14 jul. 2020.

DOWNWARD, P.; RASCIUTE, S.; KUMAR, H. Health, subjective financial situation and well-being: a longitudinal observational study. Health and Quality of Life Outcomes, p. 1–9, jun. 2020.

DUBOW, C. et al. Participação Social na Implementação das Políticas Públicas de Saúde: uma revisão crítico reflexiva. Saúde & Transformação Social, v. 8, n. 2, p. 103–111, 2017.

DUIJSTER, D. et al. Material, behavioural, cultural and psychosocial factors in the explanation of socioeconomic inequalities in oral health. The European Journal of Public Health, v. 28, n. 4, p. 590–597, aug. 2018.

FRANÇA, E. B. et al. Principais causas da mortalidade na infância no Brasil, em 1990 e 2015: estimativas do estudo de Carga Global de Doença. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 20, suppl 1, p. 46–60, maio 2017.

FREITAS, D. A; CABALLERO A. D.; MARQUES A. S.; HERNÁNDE C. I. V.; ANTUNE S. L. N. O. Saúde e comunidades quilombolas: uma revisão da literatura. Revista CEFAC, São Paulo, v. 13, n. 5, p. 937-943, set./out. 2011.

FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Informações Quilombolas. Brasília, 2020. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/?page_id=52126. Acesso em: 5 out. 2020.

GONÇALVES, H. et al. Population-based study in a rural area: methodology and challenges. Revista de Saúde Pública,v. 52, supl. 1, p. 1–11, sept. 2018.

GRUPO DE TRABALHO CLÓVIS MOURA: Relatório do Grupo de Trabalho Clóvis Moura. 22 ed. Curitiba PR: [s.n.], 2010. 269 p. Disponível em: <http://www.gtclovismoura.pr.gov.br/arquivos/File/relatoriofinal2005a2010.pdf>.

HAHN, R. A.; TRUMAN, B. I. education improves public health and promotes health equity. International Journal of Health Services, v. 45, n. 4, p. 657–678, 19 out. 2015.

LEFEVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C. O sujeito coletivo que fala. Interface- Comunicação, Saúde, Educação, v. 10, n. 20, p. 517-24, jul./dez. 2006.

LEITE, ILKA BOAVENTURA. O projeto político quilombola: desafios, conquistas e impasses atuais. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 16, n. 3, p. 1-13, set/dez. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ref/v16n3/15.pdf>. Acesso em: 04 set. 2018.

MACHADO, C. V; BAPTISTA, T. W. F.; LIMA, L. D. O planejamento nacional da política de saúde no Brasil: estratégias e instrumentos nos anos 2000. Ciência & Saúde, v. 15, n. 5, p. 2367-2382, 2010.

MALTA, D. et al. Probability of premature death for chronic non-communicable diseases, Brazil and Regions, projections to 2025. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 22, e190030, 2019.

MILDESTVEDT, T. et al. Factors associated with self-rated health in primary care. Scandinavian Journal of Primary Health Care, v. 36, n. 3, p. 317–322, jul. 2018.

NASCIMENTO, M. et al. Prevalence of human papillomavirus infection among women from quilombo communities in northeastern Brazil. BMC Women’s HEALTHY, v. 18, n. 1, p. 1, jan. 2018.

MATUS, C. , El plan como Apuesta, Revista PES, n.2, p. 9-59, 1993.

OLIVEIRA, A. M. C.; IANNI, A. M. Z.; DALLARI, S. G. Controle social no SUS: discurso, ação e reação. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, n. 8, p. 2329–2338, ago. 2013.

OLIVEIRA, S. K. M. et al. Autopercepção de saúde em quilombolas do norte de Minas Gerais, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 9, p. 2879–2890, set. 2015.

PAIVA, F. S. DE; STRALEN, C. J. VAN; COSTA, P. H. Participação social e saúde no Brasil: revisão sistemática sobre o tema. Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 2, p. 487–498, fev. 2014.

PIMENTA, F. et al. Factors associated with chronic diseases among the elderly receiving treatment under the Family Health Strategy. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 8, p. 2489–98, aug. 2015.

Prüss-Ustün, A. et al. Burden of disease from inadequate water, sanitation and hygiene for selected adverse health outcomes: An updated analysis with a focus on low- and middle-income countries. International Journal of Hygiene and Environmental Health, v. 222, n. 5, p. 765-777, jun. 2019.

RANTANEN, A. T. et al. Poor or fair self-rated health is associated with depressive symptoms and impaired perceived physical health: A cross-sectional study in a primary care population at risk for type 2 diabetes and cardiovascular disease. European Journal of General Practice, v. 25, n. 3, p. 143–148, 3 jul. 2019.

ROCHA-BRISCHILIARI, S. et al. Doenças Crônicas não Transmissíveis e Associação com Fatores de Risco. Revista Brasileira de Cardiologia, p. 1–8, 2014.

ROCHA, Sonia. Pobreza no Brasil: afinal do que se trata? 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

ROSO, A.; ROMANINI, M. Empoderamento individual, empoderamento comunitário e conscientização: um ensaio teórico. Psicologia e Saber Social, p. 83–95, 2014.

SANTOS, K. M. Formação dos Grupos de Organismo de Controle Social em Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, SP: estudo de caso do grupo de mulheres de São Pedro. Redes, v. 23, n. 3, p. 336, 12 set. 2018.

TIRAPANI, L.; FERNANDES, N. M. A Narrative Review of the Impacts of Income, Education, and Ethnicity on Arterial Hypertension, Diabetes Mellitus, and Chronic Kidney Disease in the World. Saudi Journal of Kidney Diseases and Transplantation, v. 30, p. 1084–1096, 2019.

TRATA BRASIL. Fundação Getúlio Vargas. Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/uploads/estudos/pesquisa7/pesquisa7.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2020.

The State of the World’s Children 2016. A fair chance for every child. Unicef - United Nations Children’s Fund. [s.l: s.n.]. Disponível em: https://www.unicef.org/media/50076/file/UNICEF_SOWC_2016-ENG.pdf Acesso em: 16/08/2020.

VIEGO, V.; TEMPORELLI, K. Socioeconomic Status and Self-Reported Chronic Diseases Among Argentina’s Adult Population: Results Based on Multivariate Probability Models. Journal of Public Health Research, v. 6:883, p. 56–63, 2017.

VIEIRA, A. B.; MONTEIRO, P. Comunidade quilombola: análise do problema persistente do acesso à saúde, sob o enfoque da Bioética de Intervenção. Sáude em Debate, p. 610–618, 2013.

YOU, D. et al. Estimates Developed by the UN Inter-agency Group for Child Mortality Estimation. Unicef - United Nations Children’s Fund, 2015.

Downloads

Publicado

2025-07-01

Edição

Seção

Relatos de experiências extensionistas e artigos de opinião