Oficinas temáticas promovem a aprendizagem de morfofisiologia humana no ensino médio
DOI:
https://doi.org/10.23901/1679-4605.2022v18n1p93-106Palavras-chave:
Saúde Sexual. Saúde Reprodutiva. Morfofisiologia Humana. Oficinas temáticas.Resumo
No ensino médio, os temas relacionados a área das ciências morfofisiológicas (anatomia, histologia e fisiologia) frequentemente apresentam desarticulação entre o estudo teórico e prático, dificultando o processo de ensino aprendizagem dos mesmos em sala de aula. Paralelamente, há escassez de debates acerca dos diversos temas que envolvem a saúde sexual e reprodutiva no âmbito escolar, o que reflete altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) entre os jovens. Diante disso, o objetivo desse estudo foi oportunizar oficinas de saúde sexual e reprodutiva integrada aos assuntos de morfofisiologia do sistema reprodutor humano e avaliar a aprendizagem teórico-prática de escolares do ensino médio. As oficinas foram ofertadas por discentes do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) à 180 escolares do segundo ano do ensino médio de dois colégios públicos do município de Uruguaiana/RS e possuía basicamente dois encontros de atividades teórico-práticas com coleta de dados quantitativos e qualitativos. No início do primeiro e no final do segundo dia de oficina, foram disponibilizados testes aos estudantes contendo questões objetivas relacionadas aos temas discutidos durante os encontros. A média de acerto das questões no pré e pós-teste foram analisadas estatisticamente através do programa SPSS Statistics 2.0 e o nível de significância adotado foi de 5%. Os resultados evidenciaram um aumento significativo no número de acertos das questões no final das oficinas (pós teste) em comparação aos acertos registrados no início da oficina (pré teste) (p < 0,05). Além disso evidenciou-se que os temas: transmissão de HIV e de sífilis, sinais e sintomas da infecção por HIV, preservativos, órgãos genitais, fecundação, ciclo menstrual e hormônios sexuais apresentaram maior discrepância no número de acertos no pós teste em relação ao pré teste, demonstrando maior assimilação dos conhecimentos sobre estes temas abordados. Por fim, através de questionamentos subjetivos foi analisado o “feedback” dos alunos em relação à todas as atividades da oficina. Da amostra total de alunos, 48,9% acharam interessante todos os recursos e metodologias ofertadas, 29,8% acharam que as metodologias instigaram a curiosidade sobre o assunto e 21,3% consideraram as atividades dinâmicas e divertidas. Quanto às atividades práticas consideradas mais proveitosas pelos alunos: 43,18% preferem a dinâmica do “concordo/discordo”; 20,45% apontaram o uso de peças sintéticas de anatomia; 13,65% o preenchimento dos roteiros; 11,36% uso caixa mágica e 11,36% consideraram a visualização de células e tecidos no microscópio óptico. Dessa forma, os resultados sugerem que as oficinas temáticas ofertadas aos escolares do ensino médio promoveram maior aprendizado teórico-prático de morfofisiologia humana, além de possibilitar uma maior integração e contextualização do conhecimento relacionado à saúde sexual e reprodutiva no âmbito escolar.
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