Projeto Descontrair Só Ria: o brincar no hospital

Autores

  • Maxlaine Aparecida Santos Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • Ana Carolina Duarte
  • Natália Tartler
  • Fernando Carvalho Siqueira
  • Ana Luíza Souza
  • Hércules Leite
  • Ana Paula Santos

DOI:

https://doi.org/10.23901/1679-4605.2022v18n1p227-240

Palavras-chave:

Atividades lúdicas. Criança hospitalizada. Brincar.

Resumo

Introdução: O processo de hospitalização gera situações únicas de angústia, ansiedade e sofrimento para o paciente e seus familiares. Para as crianças, a experiência da internação hospitalar pode ser bem difícil. Existe o medo do desconhecido, ambiente e pessoas estranhas, linguagem técnica incompreensível, técnicas invasivas e por vezes dolorosas, além da inquietação pelo tempo ocioso e passividade. Diante disso, o projeto de extensão Descontrair Só ria foi criado. Objetivo: Promover ações lúdicas junto às crianças internadas em uma unidade hospitalar no município de Diamantina, Minas Gerais, visando reduzir o sofrimento das crianças e familiares e auxiliar no processo de recuperação. Métodos: As crianças internadas no setor de pediatria do Hospital Nossa Senhora da Saúde formaram o público alvo para as atividades extensionistas desenvolvidas duas vezes por semana por uma equipe interdisciplinar da área da saúde. As atividades consistiram de leitura de livros infantis, pintura e criação, jogos educativos e interativos, atividades com fantoche e brinquedos. Questionários próprios, simples e objetivos, direcionados aos responsáveis pelas crianças e aos profissionais envolvidos no setor de pediatria foram aplicados para avaliação das atividades. Expressões faciais foram criadas para as crianças sinalizarem seus sentimentos no início e após a atividade extensionista. Reuniões periódicas foram realizadas para melhorias e discussão do aprendizado. Resultados: Após 19 meses de intervenção, 431 crianças de 1 a 14 anos de idade foram abordadas, em sua maioria meninos (58 %). A maioria dos responsáveis pelas crianças (89 %) classificou como excelente a ideia do projeto. Todos afirmaram que deixariam seu filho participar novamente das atividades propostas. Mudança da rotina hospitalar deixando a criança mais feliz e a diminuição do estresse e angústia da internação foram os motivos mais pontuados pelos responsáveis (39 % e 37 %, respectivamente) sobre a importância de brincar com as crianças no ambiente hospitalar. Todos os responsáveis relataram se sentir melhor pelo menos por uns momentos enquanto seus filhos participavam das atividades propostas pelo projeto. Todos os funcionários afirmaram que as atividades desenvolvidas auxiliaram a recuperação das crianças durante o período de internação, que o comportamento das crianças melhorou após a realização das atividades do projeto e que a intervenção ajudou na rotina de trabalho da equipe. A escolha das expressões faciais foi variada.Conclusão: O projeto conseguiu levar um pouco de descontração e alegria para as crianças e um alento aos pais que quando veem seu filho sorrir expressam felicidade. Não atrapalha a rotina hospitalar, pelo contrário, acaba por auxiliar o setor. Os discentes envolvidos, a cada reunião, mostraram maior aprendizado, com crescimento profissional e pessoal, adquirindo um olhar mais humano sobre a comunidade. 

Referências

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Publicado

2025-07-01

Edição

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Artigos