A pesquisa-ação como dispositivo de interação em grupo de pessoas idosas

Emerson Araújo Do Bú, Josefa Raquel Luciano da Silva, Mayrla de Sousa Coutinho, Maria Edna Silva de Alexandre, Roseane Christhina da Nova Sá Serafim, Cristina Ruan Ferreira de Araújo

Resumo


Partindo da premissa de que a Polifarmácia, Automedicação e uso indiscriminado de plantas medicinais apresentam-se como uma situação-problema de Saúde Coletiva junto à população de idosos(as), o presente estudo tem por objetivo apresentar reflexões acerca de ações extensionistas de educação em saúde, desenvolvidas com idosos(as) que apresentam riscos relacionados a tais fenômenos. Trata-se de um estudo quantitativo com abordagem descritiva e exploratória, fruto de ações extensionistas realizadas na cidade de Campina Grande - Paraíba, com 21 pessoas idosas que frequentam um Centro de Convivência do Idoso dessa cidade. Adotou-se como metodologia norteadora da presente extensão a Pesquisa-ação, com o intuito de verificar o efeito de mudança prática da atividade no cenário em questão. Assim, visando-se construir saberes com os idosos acerca dos riscos que a Polifarmácia, Automedicação bem como a associação do uso de medicamentos e plantas medicinais podem trazer para a saúde, foram realizadas intervenções em forma de debates, rodas de conversa e oficinas temáticas com recursos artísticos. Para coleta de dados, questionários foram propostos no inicio da extensão e no término das atividades, com o objetivo de identificar, com base em questionamentos similares, possíveis mudanças concernentes à sensibilização dos idosos acerca das temáticas da extensão. No que tange ao tratamento dos dados, utilizou-se a análise quantitativa descritiva (frequência e percentagens) do material coletado. Com base nos questionários propostos no início da extensão, pôde-se verificar que os fenômenos da Polifarmácia, Automedicação e associação de uso de plantas medicinais com medicamentos alopáticos foram observados na população entrevistada. Ao término das ações extensionistas, ao se realizar uma atividade de avaliação dos impactos da extensão, 17 dos idosos(as) afirmaram conhecer os riscos da Polifarmácia e, 14 dos 16 que outrora afirmaram se medicar sem antes passar pela consulta médica, afirmaram que não repetirão tal prática, reconhecendo os riscos que tal ação pode trazer para a saúde. Acerca do uso de plantas medicinais, 21 participantes disseram que a ingestão de medicamentos alopáticos em chás não pode ocorrer e 18 deles afirmaram que, antes de utilizar plantas medicinais para tratar afecções, buscarão informações junto a profissionais da saúde. Percebeu-se que atividades como as propostas pela presente extensão propiciaram um espaço de trocas que ocorrem com o dinamismo e interação dos idosos(as) e contribuíram de forma significativa para uma melhor apreensão de conhecimentos.  Sublinha-se, ainda, que a pesquisa-ação, como método adotado na presente extensão, possibilitou, de maneira cooperativa e/ou participativa, que se pudesse intervir na problemática identificada com o estímulo da expressão individual e coletiva na tomada de decisões, o que reforça a autonomia dos idosos(as), no que diz respeito à manutenção de vida saudável.

 

Palavras-chave


Idoso. Plantas medicinais. Educação em Saúde. Polifarmácia.

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Referências


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