Da forma à ação de professores para atuar em salas de recursos multifuncionais

Gilberto Cézar de Noronha

Resumo


O artigo relata o processo de elaboração e execução de um curso de formação de professores para atuar em Salas de Recursos Multifuncionais, seus sentidos, desafios e possibilidades. Ação financiada pelo primeiro edital de incentivo à pesquisa e extensão em educação básica da história da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais), a proposta visou não apenas a formação teórica dos professores, mas ações efetivas para o Atendimento Educacional Especializado em escolas da educação básica. Do ponto de vista teórico-metodológico, propunha-se colocar em questão a própria relação entre universidade e escola básica pelo deslocamento das hierarquias que tendem a se estabelecer entre estas duas instituições em ações de extensão. Para tanto, propôs-se que a elaboração dos conteúdos programáticos do curso estivesse embasada nos dados da própria realidade escolar, com a participação ativa de professores e de estudantes do espaço de execução do projeto, sem dissociar pesquisa, ensino e extensão. Foram retomadas de forma crítica as experiências de inclusão já realizadas no Alto São Francisco, região centro-oeste de Minas Gerais, propondo não apenas uma interpretação da prática (in-formação), mas um convite à elaboração de novas ações de inclusão materializadas em projetos de implantação de novas salas de recursos multifuncionais. Os (in)sucessos desta proposta, a serem discutidos, evidenciaram grandes desafios na inclusão social pelo Atendimento Educacional Especializado em Salas de Recursos Multifuncionais que transcendem a atuação do professor em SRM e envolve diversos campos do conhecimento como a pedagogia, a medicina e a psicologia. Não apenas na definição, mas na execução e avaliação das políticas de inclusão social pela educação, exigindo, portanto, uma discussão interdisciplinar sobre as formas de ação que são não apenas técnicas, pedagógicas, mas sobretudo políticas (no sentido mais amplo do termo) a começar pela própria dificuldade de identificação das necessidades de atendimento educacional especializado. Os procedimentos adotados pelas redes de ensino, não raro assumem a postura de reféns de laudos e de discursos “especialistas” que, sem prejuízo de seus fundamentos teórico-metodológicos, na prática descobrem-se a serviço da exclusão social, bem mais do que fomentadores da ampliação de práticas sociais inclusivas pela educação.

Palavras-chave


Educação Inclusiva. Salas de Recursos Multifuncionais. Formação de professores.

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